19 de julho de 2011

Diários de Praga 4 - Arquitetura e Entretenimento

Saindo do confinamento do Pavilhão principal da Quadrienal, o evento toma as ruas da cidade. A sessão de arquitetura foi montada na antiga igreja de Saint Anne com uma exposição de projetos de arquitetura para teatros e áreas de espetáculos oferecendo um panorama de como e onde se anda fazendo arte pelo mundo. Uma das exibições apresentava os vencedores de um concurso de reutilização da própria igreja como área para apresentações de diferentes tipos de espetáculos. No mezanino, aulas e palestras sobre arquitetura.

A reciclagem do espaço foi incrível e transformou a pequena igreja em um dos espaços mais agradáveis da Quadrienal. Entre os projetos em exibição a comparação entre os projetos brasileiros do Teatro Oficina feito por Lina Bo Bardi e o novo projeto ainda em fase de experimentação de João Batista Martinez.



13 de julho de 2011

Diários de Praga 3 - Com que Roupa Eu Vou?

Para um evento do tamanho da Quadrienal a exibição de figurinos deixou muito a desejar! Uma pequena área num subsolo escuro, depois da instalação doida e barulhenta da Noruega não tinha nem um décimo da beleza e do cuidado das outras áreas do evento. A exposição Extreme Costume apresentava modelos feitos dos mais diferentes materiais, de papel reciclado a gelo. Nos stands, os poucos que também apresentavam figurinos, o tema era o mesmo: como inovar no uso de materiais nos figurinos. De esponja de banho a fibra ótica, valia tudo.

Materiais para a peça "O Doente Imaginário" de Molière, dirigida por Carlos Corona e abaixo imagens do figurino idealizado por Jerildy Bosch. Esponja, panos de bandeja e tecidos baratos.

 
 
Abaixo, fibra ótica no stand do Canadá






Figurino de gelo para a peça brasileira "A Menina e o Outono" de Leo Fressato e um vídeo para entender como ele era usado e o vestido de cápsulas de rifles e metralhadoras.


 


11 de julho de 2011

Diario de Praga 2 - Scenofest

Segundo dia de visita e lá fui eu ver os stands da Scenofest, área estudantil do evento mas que não perde em nada para os "adultos". A proposta no Scenofest é um pouco diferente, os stands privilegiam escolas e projetos feitos aulas, cursos ou concursos dentro das escolas. Sem ficarem tão presoas à curadoria que a mostra competitiva estava, os trabalhos da Scenofest eram diversos em todos os sentidos.

 Adorei o stand do Uruguai pela cenografia inusitada e pela forma de apresentar seus projetos, mostrando que não precisamos nos prender a croquis ou maquetes para mostrar como se altera o espaco.



 















O stand da Bélgica veio bem humorado brincando com uma piada interna sobre vieiras, ostras e o próprio povo belga. Olhando de longe o espaço era absolutamente despretensioso até você começar a se divertir abrindo as ostras e achando projetos cenográficos e figurinos ao invés de pérolas.




"Trabalho de Japonês!" Foi a primeira coisa que cruzou a minha mente quando vi o espaço do Japão. Estátuas de Dorothy, Homem-de-Lata, Espantalho e do Leão d'O Mágico de Oz em tamanho natural e INTEIRAMENTE DE PAPEL ganharam o coração de todos. Segundo a curadoria japonesa no catálogo: "Um furacão no trouxe aqui e para isso precisamos fazer as coisas leves e compactas."




 O Brasil aportou com um armazém entulhado de coisas mas, por mais que fosse visualmente lindo e muito bem atrelado ao conceito do stand dos "adultos", tinha tanta coisa que ficava difícil encontrar os projetos nas prateleiras. O bolo de fubá que saía em determinadas horas do dia, no entanto, perfumava o andar inteiro.
Mas, em meio a stands bem desenhados, loucos ou meio sem futuro mesmo, o elegante espaço de paredes pretas da Letônia era o que conseguia unir proposta e apresentação da melhor maneira sem parecer educacional. Os projetos respondiam a um desafio: criar uma mesma linha conceitual e cenográfico para 4 peças de autores consagrados:  Shakespeare, Beckett, Checkov e Blaumanis

9 de julho de 2011

Diário de Praga

"At the still point of the turning world...", uma frase pinçada da obra de T. S. Elliot, é o mote da Quadrienal de Praga deste ano e, estabelecendo o diálogo com tudo o que o evento se propõe a oferecer, a frase é completada de diferentes maneiras em diferentes paredes ao longo dos pavilhões de exposição...
 
... elegant is the word;
... absorption and theatricality;
... interruption (is one of the fundamental devices of all structuring).

Até esta edição e por mais de 40 anos o nome completo da Quadrienal de Praga era: Prague Quadrennial International Exhibition of Scenography and Theatre Architecture (Quadrienal Internacional de Exibição de Cenografia e Arquitetura de Teatros de Praga) em 2011, devido a uma mudança de escopo na curadoria, o nome mudou para: Prague Quadrennial of Performance Design and Space (Quadrienal de Design de Performance e Espaço de Prago). Motivo? Basicamente multidisciplinaridade.

Os organizadores perceberam que durante anos a cenografia foi tratada na Quadrienal como uma "disciplina entre o visual e as artes performáticas" porém, atualmente, com todas as tecnologias e todas as possibilidades de misturas de áreas e disciplinas a cenografia evoluiu, agregou e era hora de expandir o evento para dar conta dessas mudanças.

Sob o teto da Galeria Nacional de Praga ou Veletrzni Palace (acentos em várias consoantes que meu teclado não permite) estavam trabalhos de cenografia, figurino, design de luz e som do mundo inteiro. Além de diversos locais espalhados pela cidade abrigando performances, teatro de bonecos, instalações, etc. Aí eu peguei o bonde 12 e fui bater lá. E é mais ou menos assim:

A Galeria Principal é dividida em dois espaços básicos: a competitiva mundial e a mostra estudantil, chamada Scenofest. Pelos andares se espalham stands de diferentes países que seguem um conteúdo escolhido por um curador do respectivo país.

Ver os stands é ver cenografia dentro de cenografia. Nós vemos os cenários e figurinos escolhidos de acordo com o tema e vemos como este tema foi representado no stand. Acaba sendo cenografia de teatro mas também de exposição, misturado com novas idéias para exibir itens que fisicamente não cabem naquele espaço.
No primeiro dia que cheguei gostei muitos dos stands de Israel, Chipre, Espanha, Cuba e Brasil.

Chipre:  O tema era abrangente, tratando das mudanças sociais e do crescimento do teatro no país. A palavra chave do conceito era "movimento". Como a movimentação entre opostos como destruição e construção, criatividade e "readymades" influenciam na criação do espaço.

O simpático stand acompanhava a palavra chave, tudo poderia ser movido e mudado, a estrutura inteira se desdobrava em portas, janelas, gavetas e olhos-mágicos para exibir os cenários. Interatividade sem tecnologia.








Espanha: cenografia simples para mostrar o tema mais palpável da Quadrienal. "Depois do Desenho", apresentava coletivos artísticos que trabalham artesanalmente com cenografia, adereços, figurinos, teatro de bonecos, etc numa forma de demonstrar que artes visuais unem tecnologia e trabalho manual e que seus profissionais mais habilidosos podem estar ameaçados de extinção. Sem dúvida, o item mais cobiçado do evento eram os impecáveis livros de fotografias que apresentavam cada artesão.




Islândia: o tema não era lá essas coisas, "Time and Water at the House of Memories" tinha um nome lindo e pouco a adicionar. Mas, a simpática casinha "desviada pro branco" atraiu quem passava. Segundo a curadoria islandesa, era uma instalação para mostrar o  sofrimento e o esforço de sobrevivência de um artista dentro e fora de sua performance. Hummm...


















Israel: o segundo stand do pavilhão chamava a atenção pela altura e pelo título, "Os mercadores de borracha" e pelas centenas de caixas de supostas camisinhas empilhadas. O stand homenageava Hanoch Levin, dramaturgo israelense.




Cuba: era a primeira vez que Cuba participava da Quadrienal. Um papel impresso colado em um totem de madeira explicava que isso se deu principalmente pelo fato das gerações de cenógrafos da ilha não concordarem muito entre si. 3 CubanGenerations é uma amostra brevíssima do que 3 gerações podem oferecer a um país.  O melhor do stand era que é impossível não andar pela Quadrienal pensando como cada país ali financiou seu projeto e é mais impossível ainda não pensar que, provavelmente, países de primeiro mundo teriam mais dinheiro do que nós. E aí chega Cuba e faz um "não-stand" simples, sem monitores, sem panfleto, apenas flutuando no ar.


Brasil: entrando por um tradicional portão de ferro torcido o Brasil apresentava a cenografia como influência da cultural e do território nacionais. Um stand de cores vibrantes e inspirações regionais para não dizer quase que inteiramente nordestinas chamava a atenção de quem passava e foi um dos que apresentou a melhor ligação entre tema e apresentação. Direto ao ponto, bem executado, lindo. Só podia resultar em uma coisa: mas isso fica pro dia seguinte.




















7 de julho de 2011

Zapeando

Ninguém admite que gosta de novela, porém, eu admito que gosto de Cordel Encantado e acho que todo mundo já teve ter comentado como o folhetim não parece novela, parece filme porque tem aquele desfoquezinho, aquele figurino, aquele cenário e é aí que eu entro!

Não preciso dizer que adoro o cenário do Cordel e mais ainda, adoro o figurino. 
Ana Maria Magalhães, produtora de arte da novela saiu do óbvio filtro de barro, panela de barro, santo de barro e misturou tapeçarias nas paredes, tratamentos e texturas e paredes com stêncil e fez um novo sertão.

Diga-se de passagem, parece que inventaram uma estética específica para o sertão. Uma estética que ouvi chamarem uma vez numa palestra de "estética de cordel" e que se popularizou em filmes como "Auto da Compadecida", "Lisbela e o Prisioneiro" e "O Coronel e o Lobisomem". É um nordeste com toques de fábula e romantismo, como se sem isso sertão fosse muito seco para o cinema e para histórias de amor. Mas isso, será assunto de um novo post.

Indo ao ponto finalmente, pela primeira vez, tenho reparado demais nos figurinos de uma novela. Coisa que normalmente é meio pasteurizada, que só muda a cor. O que são os vestidos da Débora Bloch? E as tiaras da Rainha Helena (Mariana Lima) à lá Senhor dos Anéis? Tudo é feito artesanalmente e só a Globo mesmo para bancar.

De acordo com a figurinista cada personagem foi baseado em referências bastante específicas. Os figurinos dos personagens que vem de Seráfia do Norte, como a Rainha Helena, tem como referência a lua, curvas e algumas coisas de "O Senhor dos Anéis".


 

O figurino do Rei Augusto foi baseado no último czar russo, Nicolau II da dinastia dos Romanov, pai da princesa Anastácia, aquela que deu origem a uma lenda bem parecida com a contada na novela.


 



Já sua mulher, Alexandra, rainha mais bem vestida e elegante da época, foi ponto de partida para os figurinos da Rainha Mãe (Berta Loran) e dos modelos embasbacantes de Débora Bloch. E, procurando as fotos para esse post descobri que a estilista russa Nadezhda Lamanova, talento nato da alta costura que, aos 24 anos, já tinha como cliente a czarina que se tornaria a mais bem vestida da Europa. Vale a pena uma pesquisa, sua coleção apresentada em Paris em 1925 tinha os acessórios todos feitos de pão. Avant-garde? Imagina...



7 de junho de 2011

Batendo Perna

Já mostrei aqui a Anthropologie, a Bergdorf & Goodman, a Macy's. Dessa vez, vou falar das lojas possíveis, aquelas que nós, os meros mortais frequentamos. Também não vou mostrar as lojas-conceitos da Oscar Freire mesmo que elas vendam havaianas. Hoje é dia de lugar bacana (ok, admito que nem todos são baratos, mas...) bom e acessível mesmo que de vez em quando e muito bem decorado.

Alice Disse (amo todas elas!)


Coisas da Dóris (São Paulo)


Farm Ipanema (tem que ser a de Ipanema, as outras são todas iguais)


Josefina Rosacor (é tipo uma alice disse só que rosa, lilás e roxa)

E para tomar uns "bons drink":
Miam, Miam



Zazá Bistrô



Mezza Bar


 

5 de junho de 2011

Outro emprego dos sonhos

Acompanhando o blog da Liberty & Co. de Londres, achei uma entrevista com a chefe de identidade visual da loja (que é uma Bergdorf & Goodman da Inglaterra), Maxine Groucutt. Ela é responsável pelas vitrines, encartes e visual merchandising da loja (outro emprego dos sonhos)


Fala moça!

"I can’t say that I have ever had a typical day in my career!"


8am: I start my day with the crutch of an Earl Grey tea and I work through my emails. I usually walk the floors in the mornings to get to grips with changes and new products…oh and a little shopping too!
9am: Today I had a breakfast meeting with stylist Faye Toogood to discuss 2011 design week, windows and her new furniture line. I love spending time with fellow creatives and I feel a sense of release after our brainstorm.
10am:  Back to the shop for a meeting with the merchandising team to discuss option capacity for the new stationery room. This grounds me and puts my retail head back on for the day.
11am: I work on the mood board for the SS11 visual scheme, catch up with my team and get to grips with the emails that keep flying in. There are lots of emails over the return of the Liberty fabric frog who’s making his debut this Christmas…I can’t wait.
12pm: I can’t eat lunch as I am so nervous about my budget meeting at 2pm, I’m prepared so it goes well and everyone is pleased.
3pm: I have a meeting to catch up on the refit for our new Christmas chocolate shop Cocamaya, everyone loves the colours and the window vinyl ideas so I brief this in.
4pm: Manolo Blahnik arrives for a book signing event and I pop down to discuss the window concepts with him in our Style Service suite. We chat excitedly about ideas and he tells me about stories of his childhood Christmases. We are continually interrupted by excited staff who want to meet him (he is so gracious and talks to everyone) but we manage to get a design sketched out….he signs his name on our naive sketch and then laughs.
6pm: I prepare a presentation for the following day and then sink into the luxury of my book on the tube home knowing that tomorrow will be totally different!


More about Maxine:
  • I studied Costume design for stage and screen and fell into fashion retail after college. I worked my way up to management all the while craving to be more creative. I took a side step into visual merchandising and the rest is history.
  • I love working for Liberty because of the people who work here and the passion they have for the business.  
  • I’m excited about our new men’s denim department on the lower ground floor.  We restored all the heritage wood in the room and this acts as a beautiful back drop to individual brands. Each brand we cultured to bring their identity into Liberty without creating shop fits.